Fotos do Espaço Naturalmente

PROJETO

O Projeto iniciou em meados de 2009, com o objetivo de aplicar as técnicas de PERMACULTURA e Planejamento Sustentável no local, que englobaram:

-Criação de Design de Permacultura no local;

- Saneamento Ecológico, com a utilização de plantas para a Fitorremediação das águas servidas;

- Desenvolvimento de pesquisa sobre Bioconstrução: construção com Terra Crua, Bambu Gigante, Design solar passivo, Eco-técnicas etc;

-Desenvolvimento de pesquisa sobre manejo de bambuzais e tratamentos preservativos eficientes de colmos de bambu;

- Desenvolvimento de artefatos de bambu: artesanato e peças decorativas, movelaria, construções etc.

Local:
A sede do Espaço Naturalmente está localizada no extremo Sul de Porto Alegre/RS, na zona rural e de fácil acesso.
A propriedade ocupa uma área de aproximadamente 600m² (24x26m) e foi adquirida em meados de 2009.
No local havia apenas uma cabana construída, uma touceira de Bambu Gigante e muitas árvores.
Os primeiros anos foram de pequenas intervenções e muita observação para entender os ciclos sazonais do local.
As árvores foram preservadas, sendo feito apenas podas para entrada de sol. São elas que nos protegem dos ventos fortes de temporal, do sol quente do verão e são utilizadas pelos animais silvestres que habitam o local, visto que estamos em um ambiente com muita vegetação, dentre eles um bando de Bugios Ruivos e muitos pássaros.

A casa que já estava no local era uma cabana canadense, que tem uma arquitetura não apropriada para nosso clima local
Este é um erro muito comum nos dias atuais. Muitas vezes importamos a arquitetura de distintos lugares apenas por "estética", sem considerar o local e clima em que a casa será inserida.
No final de 2013 iniciamos a reformulação da casa principal do local.

Casa em processo de reforma

Alguns itens da reforma da casa nova:
-Reformulação do telhado, com maior altura;
-Captação de água da chuva;
-Paredes do primeiro piso com fechamento de Pau a Pique, que confere excelente conforto térmico, regulação da umidade interna da casa , beleza estética e resistência com baixo impacto ambiental, feito através de mutirões;
-Design solar passivo, aproveitando ao máximo a iluminação natural;
-Ventilação cruzada;
-Aquecimento da água do chuveiro por serpentina no fogão à lenha;
-Saneamento Ecológico das águas servidas etc...

 Primeiros mutirões para fazer as paredes de Pau a Pique

 Paredes internas.

 Porta dos fundos e paredes da cozinha finalizadas











 Construção da varanda da frente da casa em bambu gigante.





Claraboia no centro do telhado para entrada de luz e saída do ar quente nos dias de calor.




Bioconstruções

A primeira bioconstrução do Espaço Naturalmente foi feita em dezembro de 2009.
Construímos em modelo de mutirão/oficina.

Esta é uma construção tradicional do povo nômade da Ásia Central, utilizada a mais de 3 mil anos e conhecida pelo nome de Yurt ou Ger.


Após alguns meses fizemos uma fundação/teste que utiliza pneus com solo socado para assentar melhor o Yurt.
Esta fundação se mostrou bem resistente, porém deve ser muito bem feita, com solo adequado e bem pilado. Cada pneu (de carro) é preenchido com 3 carrinhos de mão de solo.


Telhado construído com a técnica de "Vigas Recíprocas".

Cozinha campeira
-Fundação com a técnica de "pneu com terra socada";
-Estrutura de Bambu (Dendrocalamus asper e Bambusa tuldoides);
-Paredes de Terra Crua - Técnica mista de Pau à Pique com COB.
*Esta foi a primeira construção do Espaço Naturalmente utilizando a Terra Crua como fechamento.

Muito aprendizados e alguns erros no decorrer desta obra!
Foi desmanchada em 2017 para dar lugar a uma garegem multiuso construída em Bambu Mossô


A construção da estrutura de bambu e das paredes de terra crua foram feitas através de mutirões/oficinas, tendo seu início em agosto de 2011, com a oficina de construção da estrutura.




Posteriormente foram feitos diversos mutirões de construção das paredes de Terra Crua.



Durante o processo de secagem da parede ocorre uma retração que ocasiona rachaduras.
As partículas de argila incham quando misturadas com água e após a secagem voltam ao seu tamanho normal, ocasionando as rachaduras.
Após a secagem completa da parede deve-se aplicar o reboco grosso (3 a 5cm espessura) e depois como acabamento final o reboco fino. Este último deverá estar bem estabilizado, pois não deve apresentar rachaduras, tendo um ótimo resultado estético e resistência.


Aplicando reboco fino.



Acabamentos no reboco fino.



Resultado final.



Arte e iluminação passiva com garrafas.


A construção com Terra Crua necessita de 1% a 5% da energia despendida por uma obra similar de concreto e tijolos cozidos!

Construções com Terra Crua "respiram", deixando a umidade interna equilibrada, mantendo sempre um clima agradável dentro de casa.

Podemos fazer formas em alto relevo nas paredes de barro e assim transformar nossa casa em obras de arte exclusivas. Também utilizamos para-brisas embutidos na parede, formando grandes janelas fixas para iluminação.



Testes de identificação do solo e estabilização.
Antes de começar a construir com Terra Crua devemos fazer uma série de testes para identificar o solo que será utilizado. 
O solo deverá conter uma quantidade adequada de areia, argila e silte e não conter matéria orgânica.

Testes de sedimentação em vidros, para identificar a quantidade aproximada das partículas de areia, argila e silte.

Teste de resistência.

Confecção de blocos de Adobe.


Sistema de tratamento de água cinza
(águas residuais de pias e chuveiros).
A água sai da pia da cozinha, passa por uma caixa de gordura, depois é direcionada para uma sequência de dois biofiltros, com plantas de banhado para a filtragem por zona de raízes.

O primeiro biofiltro é um buraco impermeabilizado, tendo 1,20m de largura por 1m de profundidade.
Na metade de baixo o buraco foi preenchido com cascalho, local onde é recebida a água que sai da caixa de gordura.

 Nestes cascalhos se formam naturalmente um nicho de bactérias que irão digerir essa água com nutrientes proveniente da pia da cozinha, deixando estes nutrientes assimiláveis para as raízes das plantas que estão logo acima. Neste caso utilizamos bananeiras e Lírio do Brejo.

Acima do cascalho foi colocado um carpete, para evitar que a terra desça para os cascalhos.

Antes de colocar a terra fizemos uma camada de areia para uma melhor drenagem.

Apenas imitamos os sistemas naturais de banhado, que são os filtros biológicos da natureza.

Primeiro Biofiltro com bananeiras

O segundo biofiltro é uma pequena vala revestida com a técnica de "Ferrocimento" onde plantamos junco.



Bambuzal

Touceira de Bambu Gigante (Dendrocalamus asper).

Bambuzal com novos brotos.

O Bambu é uma planta rústica e perene de produção anual de madeira.


Hortas
Além de árvores frutíferas, hortaliças e ervas medicinais, temos várias Plantas Alimentícias Não Convencionais. São plantas, muitas vezes, com alto teor nutritivo e/ou medicinal, e que eram utilizadas a poucas décadas atrás, mas que com a massificação dos alimentos acabaram caindo no esquecimento.
Através do trabalho de Valdely Kinupp, que catalogou mais de 300 Plantas Alimentícias Não Convencionais na região de Porto Alegre, podemos identifica-las com segurança.
Muitas destas nascem espontaneamente, precisando de pouco ou nenhum manejo e podendo ser facilmente cultivadas junto as hortaliças no canteiro, assim melhorando sua produtividade.








Batata Cará Aéreo - Trepadeira (PANC)



Composteira

Amanhecer na beira do rio, que fica no final da rua.