PERMACULTURA



Termo criado por Bill Mollison e David Holmgren em meados dos anos 70, na Austrália.
Permacultura é uma metodologia de desenho integrado (Design) para projetar ambientes sustentáveis, financeiramente viáveis, respeitando e incentivando a cultura local.
É uma ciência prática que une os conhecimentos tradicionais/ancestrais com as ciências modernas, buscando criar uma cultura popular de sustentabilidade, através dos indivíduos, criando sistemas eficientes desde quintais, casas urbanas a sítios e fazendas, tendo excelentes exemplos em muitas partes do mundo.

É uma forma sistêmica de pensar e conceber princípios ecológicos que podem ser usados para projetar, criar, gerir e melhorar todos os esforços realizados por indivíduos, famílias e comunidades no sentido de um futuro sustentável.

A Permacultura é multidisciplinar, e um PERMACULTOR busca criar sinergias entre plantas, ambientes e os elementos do desenho (compostagem; hortas; cozinha; casa; etc), dando a cada elemento mais de uma função. Ele age imitando a natureza e utilizando seus padrões: criando paisagens comestíveis; utilizando técnicas de Bioconstrução; tratando as águas através de filtros biológicos; fazendo a compostagem das sobras orgânicas da cozinha; formando solos férteis, entre outras práticas renováveis. Em um desenho permacultural não há desperdícios.
Enfim, tomando a responsabilidade por nossa própria vida, começando pelo quintal de casa!

“Paisagens conscientemente desenhadas que reproduzem padrões e relações encontradas na natureza e que, ao mesmo tempo, produzam alimentos saudáveis, fibras e energias em abundancia e suficientes para suprir as necessidades locais.” David Holmgren

Temos que entender que nosso planeta TERRA é um grande organismo vivo e integrado, que para manter a vida como a conhecemos, é necessário um complexo sistema em equilíbrio.
O modelo da sociedade atual é totalmente predatório e insustentável. Temos que pesquisar as soluções agora, praticá-las e melhorá-las a partir de nossas próprias experiências.
Muito se tem falado em degradação ambiental, que é preciso preservar, mas vemos poucas coisas acontecendo na prática. O enfoque dos debates geralmente está no problema, na escassez, mas devemos começar a enfocar os debates nas possíveis soluções.
Permacultura é tirar o foco dos problemas, pesquisar e praticar as soluções, percebendo este processo lento de mudança que começa em nossa própria casa!

“Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo!” Gandhi

A Permacultura lida com a geração de recursos, criando ecossistemas saudáveis que tendem a crescer. Observando os padrões naturais, nós podemos ser re-inseridos num ambiente saudável, criado conscientemente pelo Homo sapiens ou “homem sábio”.
E não somente planejar, mas executar o que foi planejado, usar a criatividade para resolver problemas em parceria com amigos, parentes e vizinhos; resgatando o sentido de cooperação; se apropriando dos saberes; unindo de forma eficaz a teoria com a prática; observando e melhorando o trabalho feito em conjunto com a natureza e seus padrões, deixando o pensamento linear de lado e compreendendo os ciclos naturais.
Podemos criar desenhos sistêmicos com baixo custo e muita criatividade!
Já existem diversos materiais disponíveis na internet sobre Permacultura: livros, cartilhas, cursos, mutirões, etc. Existem locais por todos os lados do Brasil e do mundo colocando em prática a sustentabilidade de uma maneira mais simples e coerente, ou seja, na sua própria casa.

Permacultura é a união das técnicas tradicionais com a ciência moderna.

A Permacultura trabalha dentro de uma “visão positiva”.
Os problemas/dificuldades costumam se transformar em soluções.

Exemplo¹
RECICLAGEM DE ÁGUAS SERVIDAS
Os esgotos, hoje em dia, são um grande problema. Com a Permacultura aprendemos a reciclar nosso esgoto em casa.
Primeiro dividimos as "águas servidas" da casa em:
Água Cinza, que são as águas utilizadas nas pias, chuveiros, tanques e lavanderia; e
Água Negra, que são provenientes do vaso sanitário.
As águas cinza não têm patógenos humanos, podendo ser facilmente purificadas em sistemas simples, para que depois possam ser devolvidos para a natureza, já SANEADA, ou podendo ser reutilizada para irrigação, na descarga do vaso sanitário ou pode-se produzir bananas em uma Bacia de Evapo Transpiração. Ou seja, o problema vira solução, apenas imitando o habitat natural de brejos, manguezais e banhados que são filtros naturais dentro dos Ecossistemas. Este sistema pode ser reproduzido em pequena, média e grande escala.

Exemplo²
ALIMENTAÇÃO: SEGURANÇA ALIMENTAR
Produção de alimentos em pequenos locais, com grande variedade de espécies, misturando chás, temperos, hortaliças, frutíferas, árvores etc. Sistemas consorciados diminuem muito ataques de insetos, fungos e outros maléficos para produtividade.
Os monocultivos são um retrocesso. Não acabam com a fome no mundo e contaminaram solo, água, ar, animais e pessoas.
Você sabia que os venenos utilizados na agricultura são os mesmos da segunda guerra mundial, porém um pouco dissolvidos?!
As sementes transgênicas geram plantas que não produzem sementes boas para o plantio no ano seguinte, deixando os agricultores dependentes das Multinacionais que sustentam o Agronegócio. E existe comércio mais importante do que a produção de alimentos? Isso é um grande perigo e está indo contra a soberania alimentar de nações inteiras. Pesquise sobre Vandana Shiva, é um grande exemplo de liderança na Índia.
Na Permacultura buscamos fazer um resgate da utilização de Sementes Crioulas, que são as sementes puras, com alta resistência as pragas e melhor ainda se forem nativas, pois já estarão adaptada ao clima local.
Pesquise sobre AGROECOLOGIA, AGROFLORESTA e/ou Ernest Gotsch e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC'S) -existem excelentes vídeos na internet.
Hoje, existem institutos de Permacultura em todos os continentes, em mais de cem nações. Diversos países, como o Brasil, vêm adotando a Permacultura como metodologia e até mesmo escolas de todos os níveis estão incluindo a Permacultura no seu currículo básico.

“Embora a Permacultura seja uma estrutura conceitual para o desenvolvimento sustentável que tem suas raízes na ciência ecológica e no pensamento sistêmico, suas bases se estendem a diversas culturas e contextos mostrando seu potencial para contribuir para a evolução de uma cultura popular de sustentabilidade, através da adoção de diversas soluções práticas e emponderadoras.”
David Holmgren

Éticas da Permacultura

1-Cuidado com o planeta TERRA:
Esta é uma afirmação simples e profunda, com o intuito de guiar nossas ações para a preservação de todos os sistemas vivos, de forma a continuarem indefinidamente no futuro. Isso pressupõe uma valorização de tudo o que é vivo e de todos os processos naturais.

2-Cuidado com as PESSOAS:
De modo que nossas necessidades básicas de: alimentação, abrigo, educação, trabalho satisfatório e contato humano saudável, sejam supridas.
Devemos adotar uma visão mais humanista da vida, trabalhar para o benefício de todos!

3-Distribuição dos excedentes / Limites à produção e ao consumo:
Devemos criar métodos de distribuição equitativo, garantindo o acesso aos recursos a todos que deles necessitam, sem a intervenção de sistemas desiguais de comércio ou acumulação de riqueza de forma imoral. Qualquer pessoa, instituição ou nação que acumule riqueza ao custo do empobrecimento de outras está diminuindo a expectativa de sustentabilidade da sociedade humana.
Repensar valores, replanejar nossos hábitos e uma redefinir conceitos de qualidade de vida. Utilização consciente dos recursos, de forma a utilizar somente o necessário, de modo eficiente e sem desperdícios.
Alimento saudável, água limpa e abrigo existem em abundância na natureza; basta que com ela cooperemos.

Os resultados de um bom desenho permacultural deverão incluir:
· estratégias para a utilização do solo sem desperdício ou poluição;
· sistemas estabelecidos para a produção de alimento saudável, possivelmente com excedente (neste caso, este excedente poderá ser trocado ou negociado localmente)*
· restauração de paisagens degradadas, resultando na preservação de espécies e habitats, principalmente espécies em perigo de extinção,
· integração, na propriedade, de todos os organismos vivos em um ambiente de interação e cooperação em ciclos naturais;
· mínimo consumo de energia;
· captação e armazenamento de água e nutrientes para o solo.

Nunca devemos sobrecarregar um sistema.
MÁXIMO ≠ ÓTIMO

“Qualquer assentamento que fracasse na preservação dos benefícios naturais e, por exemplo, desmate todas as florestas e envenene os estuários, rios e solos, está caminhado para a eventual extinção.”
Bill Mollison

Metodologias de Desenho:

-Análise de sítio e de recursos:
É a observação do terreno, considerando elementos já existentes no local e na comunidade. Entre estes elementos podemos citar as benfeitorias já construídas no local; recursos naturais (bambuzal; açudes; nascentes; terra argilosa para construção natural, etc.) e possíveis sobras de materiais no terreno (telhas, tijolos, ferros, madeiras etc). Com este levantamento de dados já começamos a moldar nosso desenho conforme os espaços e os materiais já existentes no sítio, de modo a economizar energia, tempo e recursos financeiros.

-Análise de elementos:
Analisar detalhadamente cada elemento que queremos inserir no desenho/sistema. O que o elemento necessita, o que oferece e suas características.
-Exemplo: Bambuzal Necessidades: local para plantio, solo adequado e que não alague, pouco manejo anual;
Características: Altura do bambuzal, forma (entouceirante ou alastrante); Benefícios: troncos pra utilizar em construções, móveis e artesanatos, possível geração de renda, podemos tratar as águas cinzas utilizando os bambuzais, sombra, biomassa, dura mais de 100 anos produzindo, sem necessidade de replantio...

-Rede de relação entre elementos:
O mais importante na criação dos sistemas não é o número de elementos que se coloca no sistema, mas sim o número de relações entre esses elementos. Exemplo: A composteira tem ligação com a cozinha (sobras orgânicas), com a horta (gera adubo e consome as sobras das culturas anteriores) e a horta está conectada com a cozinha. Assim fechamos um ciclo! Então colocaremos a composteira próxima da porta de saída da cozinha, a horta também fica próxima da cozinha, então economizamos na quantidade de passos/energia e fica mais fácil dar atenção às plantas, pois com os canteiros próximos da área de visão e maior circulação facilita o manejo e colheitas diárias, para serem usadas nas refeições do dia a dia. Bem simples, mas sistêmico! Essa é grande diferença da Permacultura.

-Análise de Declive:
Ao planejar a localização da casa, por exemplo, buscar a zona de maior conforto térmico, e bem abrigada dos ventos de tempestade, planejar o deslocamento da água e tentar criar sistemas passivos de movimento da água por gravidade, com reservatórios e/ou cisternas em local mais alto do que a casa, e os tratamentos de água residuais abaixo das casas etc.
-Exemplos: em um vale, na sua parte inferior tem bastante umidade, corre risco de alagamentos, no topo geralmente tem muita insolação e ventos fortes, e no meio do vale existe o “cinturão térmico”, local mais propício para colocarmos a casa. Lembrando que não temos uma receita pronta, cada local tem suas particularidades e deverá ser analisado especificamente.

-Setorização:
É a observação dos elementos externos do local.
-Exemplos: caminho do sol (inverno e verão),ventos predominantes e lado de onde vem as tempestades, possível área de inundação, poluição sonora, acessos etc.
Esses setores servirão, mais tarde, para definir o posicionamento de quebra-ventos, a posição da casa e dos abrigos dos animais, entre muitos outros elementos.

-Zoneamento:
As zonas dizem respeito às energias internas do sistema.
Principalmente, em relação ao trabalho humano e à economia de energia.
Assim, podemos alcançar a maior eficiência energética possível, colocando aqueles elementos que necessitam de maior atenção humana mais próximos a casa. Aqueles que podem ser mantidos com pouco ou nenhum manejo, ficarão mais longe.
Também pensamos na conexão entre todos os elementos, de forma a que os produtos (ou recursos) de um elemento sejam utilizados como insumos por outros. É a verticalização do sistema - lixo é o recurso ainda não aproveitado.
Dessa forma, reduzimos ao máximo a necessidade de trabalho e, ao mesmo tempo, evitamos a poluição ou a contaminação.
-ZONA 0: Casa mãe;
-ZONA 1: horta, ervas, composteira, captação e armazenagem de água, tratamento de água cinza, banheiro seco...
-ZONA 2: pomar, viveiro / mudas, galinheiro, oficina, açude...
-ZONA 3: roças, bambuzal, frutíferas, proteção contra fogo, quebra ventos, abelhas... (excedente / renda)
-ZONA 4: agrofloresta, árvores para madeira / reflorestamento, castanheiras... (aposentadoria)
-ZONA 5: área de reserva natural, observação e aprendizagem com a natureza, coleta de sementes, corredores ecológicos.

*Estes elementos não são fixos, e podem variar em função do local, tipo de desenho e tamanho da propriedade.
No caso de desenho em área urbana, geralmente só temos as zonas 0, 1 e 2.

Princípios
(extraído do livro: Introdução à Permacultura, de Bill Mollison)

-Localização Relativa:
O cerne da Permacultura é o Design (desenho integrado), que representa a conexão entre elementos. Não é a água, a galinha e a árvore. É como a água, a galinha e a árvore estão ligadas. É exatamente o oposto do que nos ensinam na escola. A educação desmonta tudo em pedaços, sem fazer qualquer conexão. A Permacultura faz a conexão porque, tão logo você tenha compreendido a conexão, você pode alimentar a galinha a partir da árvore. Para permitir que um componente do projeto funcione eficientemente, devemos colocá-lo no lugar certo!
Iniciamos com o planejamento dos relacionamentos de cada elemento, de forma que as necessidades de um elemento sejam supridas pela produção de outro. Para isso, necessitamos descobrir suas características básicas, suas necessidades e seus produtos.
Para cada elemento, podemos basear nossas estratégias de ligação nas seguintes questões:
-Que uso têm os produtos deste elemento, em particular, para as necessidades dos outros elementos?
-Quais as necessidades deste elemento que serão supridas pelos outros?
-De que forma este elemento é incompatível com os outros?
-De que forma este elemento beneficia outras partes do sistema?

-Cada elemento executa várias funções:
Cada elemento no sistema deverá ser escolhido e posicionado de forma a executar o maior número possível de funções. Um tanque pode ser utilizado para irrigação, dar água aos animais, cultivo de plantas aquáticas e controle de incêndios. Também é um habitat para pássaros aquáticos, piscicultura e um refletor de luz.

-Cada função importante é executada por muitos elementos:
Necessidades básicas importantes, como água, alimentação, energia e proteção contra fogo, deveriam ser supridas em duas ou mais formas.
Uma casa com um sistema de aquecimento de água solar poderia, também, manter um fogão a lenha com uma serpentina para aquecer a água e armazenar em um reservatório (boiler) para fornecer água quente em dias nublados.

-Planejamento energético eficiente:
A chave para o planejamento energético eficiente é o posicionamento de plantas, áreas para animais e estruturas de acordo com zonas e setores.

-Utilizando recursos biológicos:
Em um sistema permacultural, utilizamos, onde for possível, recursos biológicos (plantas e animais) para economizar energia e realizar o trabalho da fazenda.
Plantas e animais são usados pra fornecer combustível, fertilizante, aração, além de serem úteis no controle de insetos, controle de ervas invasoras, reciclagem de
nutrientes, melhoramento dos habitats, aeração do solo, controle de incêndio, controle da erosão e assim por diante.
O acúmulo de recursos biológicos em um sítio é um investimento a longo prazo que necessita cuidado e manejo nas fases de planejamento, pois é uma estratégia chave para a reciclagem de energia e para o desenvolvimento de sistemas sustentáveis.
Utilizamos “esterco verde” e árvores leguminosas ao contrário de fertilizante nitrogenado; gansos na capina e ervas rasteiras no lugar de cortadores de grama, controle biológico de insetos, ao contrário de pesticidas, e outros animais, como galinhas ou porcos, em lugar de arados mecânicos, venenos e fertilizantes artificiais.
No entanto, o uso cuidadoso de alguns recursos não biológicos (máquinas baseadas em combustíveis fósseis, equipamento técnico etc) nos estágios iniciais de um sistema permacultural é aceito, se forem usados para criar sistemas biológicos sustentáveis a longo prazo, com uma estrutura física duradoura.

-Ciclos Energéticos:
Em nossos sistemas de suprimento alimentar modernos, nutrição completa e uma dieta variada são obtidos através de uma rede mundial de transportes, armazenamento e publicidade. Obviamente, essa reticulação de alimentos gasta muito mais energia do que uma diversidade agricultural local, e só é possível devido ao subsídio de combustíveis fósseis. Hoje em dia, já notamos que os custos dessa reticulação de alimentos estão fora de controle,e sentimos seus efeitos nas fazendas e sítios onde são produzidos. Métodos “eficientes” têm sido forçados ao produtor, mesmo que em prejuízo da terra e da qualidade do produto a longo prazo. Pesticidas, grandes quantidades de fertilizantes, técnicas de cultivo e sequências de plantio pouco sábias têm-se tornado comuns, num esforço para reduzir custos e aumentar a produção e na vã corrida para manter a viabilidade econômica.
Uma comunidade apoiada por uma Permacultura diversa é independente desse tráfico de distribuição, e capaz de garantir uma dieta variada, provendo todos os requisitos nutritivos sem sacrificar a qualidade ou destruir a terra a partir da qual se alimenta. As maiores economias energéticas estão na eliminação dos custos de transporte, embalagem e publicidade.
Sistemas Permaculturais visam interromper esse fluxo de nutrientes e energia que saem do local e, ao contrário, transformá-los em ciclos, de forma que, por exemplo, restos da cozinha sejam reciclados para composto, esterco de animais seja levado para a produção de biogás ou de volta ao solo, a água cinza da casa flua para o jardim, esterco verde seja transformado em terra fértil, folhas sejam levadas de volta às árvores, como mulch (cobertura de solo). Ou, em uma escala regional, esgoto seja tratado para produzir fertilizante a ser utilizado em terras produtivas, dentro do distrito.
A segunda lei da termodinâmica enuncia que a energia é constantemente perdida, ou se torna menos último ao sistema. Todavia, é através de uma constante reciclagem que a vida na Terra se prolifera. A interação entre plantas e animais, na verdade, aumenta a energia disponível no local. O objetivo na Permacultura não é somente reciclar e aumentar a energia, mas também captar, armazenar e utilizar tudo o que estiver disponível no ambiente, antes que aconteça a degradação até o nível de uso energético mais baixo e se perca para sempre.

-Sistemas intensivos em pequena escala:
Ao contrário dos sistemas centralizados, o sistema permacultural é sintonizado nas ferramentas de mão (tesoura de poda, carrinho de mão, foice, machado) em um sítio pequeno, ou motores com uso modesto de combustível (pequenos tratores, roçadeiras, moto serra), em sítio maiores.
Embora, a princípio, a Permacultura aparente ser de trabalho intenso, ela não é um retorno aos sistemas proletários de colheitas anuais, escravidão e sofrimento sem fim e dependência total na servidão humana. Pelo contrário, ela prioriza o desenho do sítio ( ou quintal urbano) para o melhor benefício, utilizando uma certa quantidade de trabalho humano ( que pode incluir amigos e vizinhos), uma acumulação gradual de plantas produtivas perenes, mulch para controle de ervas invasoras, o uso de recursos biológicos, tecnologias alternativas que gerem e economizem energia e um moderado uso de máquinas, de forma apropriada.
Sistemas intensivos de pequena escala significam que uma parte da terra pode ser utilizada por completo e eficientemente, e que o local está sob controle. Em um pequeno sítio isto não é problema, no entanto, em sítios maiores é mais fácil cometer o erro de multiplicar jardins, hortas, pomares, arvoredos e galinheiros. Isso é um desperdício de tempo, energia e água. Se você quiser saber como controlar o seu sítio, comece a partir da porta da casa!
Empilhamento de plantas: em todos os ecossistemas ocorrem espécies de plantas diferentes em altura e profundidade variadas, a partir do solo. As plantas crescem em resposta à luz disponível, de forma que, em uma floresta, as árvores maduras formam a camada (ou andar) mais alta (copa), com uma camada um pouco mais baixa de árvores menores que utilizam um pouco da luz restante. A camada de arbustos, adaptada a níveis baixos de luz, cresce logo abaixo, e se ainda existir alguma luz de sobra, uma outra camada herbácea se forma no nível mais baixo.
Podemos construir nossas próprias variações da floresta, estabelecendo um plantio intercalado de espécies altas e baixas, trepadeiras e ervas, posicionadas de acordo com suas alturas, tolerância à sombra e necessidades de água. Por exemplo: em terra com fertilidade adequada e alguma fonte de água, colocamos o nosso sistema todo de uma vez, com espécies de clímax (árvores de pomar de vida longa, como nozes e amêndoas), frutíferas de vida mais curta e menores (ameixas, pêssegos), pioneiras de crescimento rápido, espécies perenes de vida curta para o controle de ervas invasoras e para fornecer mulch, arbustos perenes, e até mesmo, anuais como funcho, feijão e abóbora.
O espaçamento entre as plantas depende, principalmente, da disponibilidade de água e dos requisitos de luz. Plantios em terras secas requerem mais espaço entre elas, enquanto que plantas em regiões quentes e úmidas podem ser posicionadas muito próximas. Design para climas frios requer sistemas relativamente abertos para permitir a chegada de luz às camadas mais baixas e para superar a falta de calor no amadurecimento. Também muitas árvores frutíferas do clima temperado e até mesmo algumas plantas de ambientes quentes e úmidas necessitam movimento de ar entre elas para reduzir a possibilidade de ataques de fungos quando ocorrem chuvas fora de estação.

-Acelerando a sucessão e a evolução:
Ecossistemas naturais desenvolvem-se e mudam com o tempo,dando espaço para a sucessão de diferentes espécies de plantas e animais. Pastagens abandonadas,
serão sucessivamente colonizadas por uma camada de ervas, plantas pioneiras e eventualmente, espécies de clímax apropriadas aos solos, topografia e clima. Cada estágio cria as condições certas para o próximo estágio. Plantas pioneiras podem fixar nitrogênio, afofar solos pesados, reduzir a salinidade, estabilizar encostas muito inclinadas,absorver umidade excessiva ou prover abrigo. Elas colonizam novos habitats, tornando mais fácil, para as outras espécies, seguir este trabalho de modificação do ambiente até um momento mais favorável.
Na agricultura “convencional”, a vegetação é mantida ao nível da camada de ervas (ex: verduras, grãos, legumes, pasto), utilizando-se energia para mantê-la cortada, capinada, arada, fertilizada, isto é, estamos constantemente o sistema para trás e incorrendo em custos de trabalho e energia, quando interrompemos a ocorrência da sucessão natural.
Ao contrário de lutarmos contra este processo natural, podemos dirigi-lo e acelerá-lo nossas próprias espécies de clímax em tempo mais curto.
Embora a produção de um sistema monocultural seja provavelmente maior para uma espécie em particular do que a mesma produção desta espécie na Permacultura, a soma das produções de um sistema misto será muito maior.
Um hectare de verduras produzirá somente verduras durante todo o ano, enquanto que na outra, verduras são uma parte menor da produção total de nozes, frutas, óleos, grãos, madeira, galinhas, lenha, peixe, sementes e proteína animal.
Para a auto-suficiência, isso significa que a família pode satisfazer todas as suas necessidades nutritivas com frutas, verduras, proteína e minerais disponíveis. Economicamente, ter mais produtos vendáveis em épocas diferentes do ano protege a família das viradas do mercado e das perdas severas que podem ocorrer em uma plantação devido às pragas ou mau tempo.
Nosso objetivo deveria ser o de dispensar a produção ao longo do tempo, de forma que produtos estejam disponíveis durante cada estação. Esse objetivo é alcançado de várias formas:
-Selecionando variedades de princípio, meio e fim de estação;
-Plantando a mesma variedade em situações de amadurecimento precoce e tardio;
-Selecionando espécies que frutifiquem por longos períodos;
-Com um aumento geral na diversidade e multiplicidade de usos das espécies no sistema, de forma que folha, fruto, semente e raiz sejam parte da produção;
-utilizando espécies que se auto armazenem, como tubérculos, sementes duras, nozes e rizomas, os quais podem ser usados na medida na medida da necessidade;
-Com técnicas de preservação, como conservas, secagem, congelamento e armazenamento a frio;
-Por meio de um comércio regional entre as comunidades.
A diversidade é frequentemente relacionada com à estabilidade na Permacultura. No entanto a estabilidade só ocorre entre espécies cooperativas, ou espécies que não causem prejuízo umas às outras. Não é o bastante, simplesmente incluir simplesmente o maior número possível de plantas e animais em um sistema, pois poderão competir pela luz, nutrientes e água. Algumas plantas como nozes e eucaliptos inibem o crescimento de outras excretando hormônios de suas raízes no solo (alelopatia).

-Consórcios:
São feitos a partir de uma associação próxima de espécies agrupadas em torno de um elemento central (planta ou animal). Esse agrupamento age em relação ao elemento para assisti-lo na sua saúde, ajudar no manejo ou amenizar efeitos ambientais adversos.
-Efeitos de Borda:
Bordas ( no sentido de fronteiras ou limites) são interfaces entre dois meios.
Bordas são lugares de ecologia variada. A produtividade aumenta na fronteira entre dois sistemas (biomas). Ex: terra/água, floresta/campo, estuário/oceano, plantação/pomar. Isso por que os recursos de ambos os sistemas podem ser utilizados, e também por que a borda contém espécies únicas de si própria.
Existem pouquíssimos assentamentos humanos sustentáveis e tradicionais que não estejam situados nessas junções críticas entre duas economias naturais.
Temos a opção de posicionar nossas casas e assentamentos para se beneficiarem dos recursos de dois ou mais ecossistemas, ou podemos aumentar a complexidade de nossas propriedades, projetando e construindo nossos próprios ecossistemas variados.

Princípios segundo David Holmgren
1- Observe e interaja;
2- Capte e armazene energia;
3- Obtenha um rendimento;
4- Pratique a autorregulação e aceite o “feedback”;
5- Use e valorize os recursos renováveis;
6- Produza e não desperdice;
7- Desenho de padrões a detalhes;
8- Integrar ao invés de segregar (cooperar ao invés de competir);
9- Use soluções pequenas e lentas (a natureza não dá saltos);
10- Use e valorize a diversidade;
11- Utilize as margens;
12- Responda a mudança criativamente.

Usando outros termos podemos também definir a Permacultura da seguinte forma:
"Ecologia em ação"
"Prática ambiental sustentável"
"A revolução disfarçada de jardinagem" (definição internacionalmente conhecida)

"A revolução silenciosa" (definição internacionalmente conhecida)

Busca harmonizar o homem e o planeta de maneira que ofereça para as próximas gerações a oportunidade de desfrutar dos mesmos recursos naturais que até hoje esta civilização tem desfrutado.


Permacultura...
Porque planetas habitáveis são difíceis de encontrar!"