SANEAMENTO ECOLÓGICO

O que é o SANEAMENTO ECOLÓGICO?

São meios naturais de tratar as “águas servidas” e possibilitar o retorno ao meio ambiente ou para reuso em atividades como adubação e irrigação.
As águas servidas são divididas em:
®Águas cinzas são aquelas originadas em tanques, pias e chuveiros, apresentando contaminantes químicos, sólidos em suspensão, óleos e graxas.
®Águas negras são as geradas nos vasos sanitários, com contaminação fecal.
Outra boa opção para “reciclar” as fezes é o Banheiro Seco.

Quando adequadamente tratada a Água Cinza pode ser fonte de recursos muito úteis.
O fósforo o potássio e o nitrogênio são elementos de poluição de lagos, rios e lençol freático quando a água cinza é lançada "in natura", diretamente.
Com o sistema de Biorremediação da água cinza o excesso de minerais, bem como os patógenos são removidos, tornando a água segura para reutilização na irrigação do solo.
Plantas aquáticas e de alagadiços, bactérias, algas, protozoários, plâncton, caramujos, peixes e outros organismos são utilizados no sistema, imitando as funções de limpeza dos alagadiços (pantanais, áreas alagadas, brejos, manguezais).

Os benefícios da reciclagem de Águas Cinzas inclui:
· Diminui o uso de água tratada;
· Menos transtornos no caso de falha da fossa céptica;
· Pode ser construída em áreas inadequadas para o tratamento convencional;
· Recupera o lençol freático;
· Ajuda no crescimento de plantas;
· Faz uso de nutrientes de outra forma inutilizados;
· Sua construção é relativamente simples e com baixo custo, sendo facilmente replicada.

Por que usar o Saneamento Ecológico?

No Brasil, a ausência de sistemas de saneamento é uma das principais causas de doenças e poluição ambiental.

A ausência ou a deficiência de abastecimento de água potável e de coleta de esgotos sanitários são causas significativas das altas taxas de doenças intestinais e de outros tipos. Em 1998, o Ministério das Cidades divulgou que 65% das internações hospitalares de crianças abaixo de 10 anos resultam da inadequação dos serviços e ações de saneamento, principalmente por diarréia. No Brasil cerca de 95% da população tem acesso a redes de abastecimento de água, porém apenas 50% do esgoto produzido são coletados e desses apenas 32 % são tratados (BRASIL, MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2005).

Comparando-se a situação de saneamento entre a zona urbana e a zona rural observa-se que na zona urbana há um déficit de 8,0% de domicílios não atendidos por abastecimento de água e de 44,7% para a coleta de esgoto sanitário. Na zona rural, o déficit é de 17,5% para abastecimento de água e 96% para coleta de esgoto, sendo esta situação agravada porque 38% das pessoas não possuem sanitários em suas residências e cerca de 49% faz uso de fossas negras. (BRASIL, IBGE, 2003).

Os efluentes líquidos (esgoto doméstico, industrial, agrícola) são responsáveis por uma parcela significativa de poluição hídrica, na medida em que são lançados sem tratamento prévio nos corpos receptores. Os esgotos domésticos apresentam diversos componentes, tais como águas de banho e de lavagens, urina, fezes, restos de comida, sabões, detergentes, óleos e graxas etc. Normalmente, mais de 99,9% do esgoto é constituído por água, mas os 0,1% restantes são responsáveis pela deterioração da qualidade do corpo da água (IPEMA, 2006).

A adoção de fossas negras como destinação do esgoto se deve à sua facilidade de construção, operação, baixo custo e desconhecimento de outras técnicas para esta finalidade. É uma solução que polui o solo e o lençol freático, atrai insetos, apresenta maus odores, tornando-se um local inóspito e de proliferação de doenças.

O destino adequado dos efluentes sanitários visa evitar a poluição do solo e mananciais de abastecimento, contato de vetores com as fezes, promover hábitos de higiene na população, conforto e efeito estético (BRASIL, FUNASA, 2006).

A evolução dos sistemas de coleta de esgoto no Brasil levou a uma população que privilegia o afastamento do efluente das residências, sem preocupação com sua destinação e análise dos impactos que causam como a poluição dos corpos hídricos, necessidade de construção de grandes estações de tratamento de esgoto, construção de redes coletoras cada vez mais extensas que causam danos e prejuízos ao meio ambiente e no uso do solo.

Utilizar o Saneamento Ecológico é tomar a responsabilidade por nossos próprios dejetos, tratando-os em nossa própria casa. São sistemas seguros e com baixo custo de implantação e fácil manutenção. Assim deixamos de depender de grandes sistemas centralizados, que consomem grande energia para implantação (extensas tubulações etc.).
O Saneamento Ecológico pode ser usado em uma pequena casa de campo ou até mesmo em prédios, em grandes centros urbanos, com o devido planejamento.
Cuidar dos nossos dejetos de forma eficiente e sustentável é o mínimo que podemos fazer, e para que as futuras gerações possam desfrutar dos mesmos privilégios que temos hoje.

Que mundo você quer deixar para seus filhos?


 REFERÊNCIAS

ANDRADE, C.O.N. Sistemas simples para tratamento de esgoto sanitário: experiência brasileira; vol. 1. Rio de Janeiro: ABES, 301 p. 1997.

ERCOLE, L.A.S. Sistema modular de gestão das águas residuária domiciliares: uma opção mais sustentável para gestão de resíduos líquidos. 2003, 192p. Dissertação de mestrado (programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UFRGS), Porto Alegre, 2003.

SPERLING, V. M. Introdução à Qualidade das Águas e ao Tratamento de Esgotos: Princípios do Tratamento Biológico de Águas Resíduárias. vol. Belo Horizonte: DESA-UFMG, 452p. 2005.

DEFFIS, A.C.; MOLINA, S.D.D. La casa ecológica autosuficiente: para climas templado y frio. 4ª.
Edição. México: editorial concepto s.a., 1992.

Análise de Alternativas Mais Sustentáveis Para Tratamento Local de Efluentes Sanitários Residenciais
Thaís H. Martinetti; Ioshiaqui Shimbo; Bernardo A. N. Teixeira.



Banheiro Seco Termofílico ou Solar de duas câmaras

Consiste em construir uma estrutura para o banheiro, tendo um conjunto de duas câmaras, onde serão armazenados os excrementos humanos. Primeiro usa-se uma das câmaras (em torno de 3 a 6 meses), até “encher”. Depois começamos a usar a 2° câmara. Durante este tempo a primeira câmara ficará lacrada, até a 2° câmara encher, daí esvaziamos a 1° e podemos reutiliza-la novamente, e assim sucessivamente.
Estas câmaras são voltadas para o norte (face do sol), tendo uma chapa metálica pintada de preto na sua cobertura, para que atinja uma temperatura de aproximadamente 70° em dias de sol, eliminando assim os patógenos humanos.

O risco de decompor fezes humanas e utilizá-las como adubo orgânico é transmitir ao solo e as plantas certos microorganismos, denominados patógenos. Os patógenos humanos se reproduzem dentro do sistema digestivo, numa temperatura de 37°, portanto estando presentes na matéria fecal. O corpo utiliza a temperatura do corpo como método de defesa contra os microorganismos. Elevando a temperatura, o corpo tenta destruir esses organismos, porém o processo pode demorar dias ou semanas. O composto seco cultiva microorganismos termofílicos (aqueles que só sobrevivem em temperaturas maiores de 40°). Ao se alimentar do material orgânico, os microorganismos liberam energia elevando a temperatura da matéria e nesse processo os patógenos humanos são destruídos. 
A destruição total de patógenos humanos é garantida com uma temperatura de 62° durante uma hora, ou 50° durante um dia, ou 46°durante uma semana. Menores temperaturas demoraram mais tempo. Temperaturas menores a 40° não garantem a eliminação de todos os patógenos.
   Ao acabar a “comida” e a temperatura da matéria orgânica descer, novos micro e macroorganismos aproveitarão para se alimentar, sendo que as suas fezes produzem o húmus que será utilizável como adubo. Assim a energia solar completa seu ciclo e volta ao seu início dando vida a novos organismos que se nutrem do solo. Nesse processo, nenhum poluente terá sido produzido e o mais importante é respeitarmos os ciclos naturais do sistema.

O húmus é qualquer material orgânico decomposto que forma a base da vida no solo. O húmus é ótimo para adubar o solo:  mantém a umidade no solo e eleva a capacidade de absorção de água. Ele proporciona nutrientes essenciais que são lentamente liberados ao solo, também contribui para aerar o solo e contrabalanceia a acidez do solo. Escurece o solo ajudando-o a absorver calor. Apóia as populações microbióticas que enriquecem o solo. Um bom húmus tem uma proporção C/N entre 25/1 a 35/1, que é a relação de decomposição dos microorganismos. Se sobrar nitrogênio, esse é perdido em forma de gás amônia.

 
As câmaras onde as fezes serão decompostas e transformadas em húmos são construídas de alvenaria.
Este tamanho é para o uso de até três pessoas (uso diário).
O projeto e execução da estrutura de madeira e alvenaria deste banheiro foi da Teresa Dominot, a parte de fechamento com Pau a Pique foi feito por nossa equipe e os alto relevos decorativos foi feito pela Aneri, a moradora da casa, em Viamão-RS. 

Banheiro por dentro, com os dois assentos. 

Banheiro por fora.


Tratamento de Águas Cinzas do Espaço Naturalmente
Projeto e execução de Carlos Silveira

Águas Cinzas são as águas residuais de pias, chuveiros e lavagens.
Estas águas (*sem o esgoto dos vasos sanitários) podem facilmente ser purificadas em sistema que utiliza Biofiltros com plantas de brejo e aquáticas.
Tratamento por zona de raízes ou fitorremediação.

Sistema utilizado na cozinha coletiva do Espaço Naturalmente
Água cinza da pia da cozinha - caixa de gordura - 1°Biofiltro - 2°Biofiltro - laguinho - bambuzal.
A água sai da pia da cozinha, passa por uma caixa de gordura e depois é direcionada para uma sequência de dois biofiltros com cascalhos em baixo e acima areia e terra preta, com plantas de banhado plantadas por cima, para a filtragem por zona de raízes.

O primeiro biofiltro é um buraco escavado no solo, com 1m de largura por 0,80m de profundidade.
O buraco foi revestido com ferrocimento. A água entra por baixo (nos cascalhos) e sobe até o nível para ir para o próximo biofiltro.

O segundo biofiltro foi feito também de ferrocimento.

Depois dos biofiltros a água vai para um laguinho de ferrocimento, com alfaces d'agua, ervilhaca, Aguapéss etc.
No laguinho também vivem outros animais que apareceram naturalmente, como os sapos.
Depois do laguinho a água já purificada vai irrigar o Bambuzal.

Primeiro estágio da água cinza da cozinha.
Fizemos uma caixa de gordura de tijolos, com 2 estágios.
A caixa de gordura tem a função de separar a gordura (que flutua) e os dejetos sólidos (que afundam), evitando assim entupimento no encanamento e biofiltros.

Segundo estágio: 1° Biofiltro:
Consiste em um buraco redondo com 1m de diâmetro e 0,80m de profundidade.
Nos Biofiltros que fizemos anteriormente o cano que conduzia a água vinda da caixa de gordura, com o tempo, acabava entupindo, deste modo começamos a fazer uma "câmara oca" na saída deste cano. Esta câmara é feita com tijolos 6 furos.
No detalhe o buraco está revestido com tela de galinheiro, onde posteriormente receberá uma camada fina de cimento, para impermeabilização. Esta técnica é conhecida como ferro cimento e fica muito resistente utilizando pouco cimento.

Biofiltro já revestido com cimento.
O cano que conduz a água para dentro da câmara oca tem um T, com um cano que fica voltado para cima para inspeção.

Cascalhos ao redor da câmara oca. 
Os cascalhos tem a função de ter maior área de superfície, onde se criará naturalmente bactérias, que criam uma película ao redor das pedras (cascalhos). Estas bactérias fazem a primeira digestão da matéria orgânica contida na água cinza, deixando estes nutrientes assimiláveis para as plantas que ficarão na parte superior do Biofiltro.
É um sistema que imita a natureza e suas relações. 
É uma simbiose entre bactérias e raízes de plantas aquáticas ou de banhado.

Acima do cascalho colocamos um carpete, para evitar que a terra, que ficará na parte de cima com as plantas, não desça para os cascalhos.

Primeiro Biofiltro pronto, já com as plantas.
Não tem problemas com mau cheiro, criando um local belo com plantas ornamentais ou até bananeiras (para alimentação), transformando um problema (esgoto) em um local belo e agradável, com baixo custo e fácil instalação.


Buraco para construção do segundo biofiltro, com a técnica de ferrocimento.



O ferrocimento é uma técnica que utiliza tela combinada com cimento.
A mistura da massa de cimento é de 1 parte de cimento para 2 partes de areia.
Deste modo se utiliza pouco cimento e tela para se obter uma estrutura muito forte.

A camada de baixo é com brita, que serve para filtrar a água e abrigar as bactérias.

Depois uma camada de areia.
E por cima coloca-se terra orgânica para receber as plantas de banhado.
Lembrando que acima da brita ou cascalho devemos colocar um carpete (velho) ou uma manta bidim, para que a areia não desça para as britas, entupindo assim o dreno.

Biofiltro com junco.

Laguinho com alga, ervilhaca, alface d'água...

A água chega no laguinho já purificada e sem cheiro.
Depois ela é direcionada para o bambuzal.


Tratamento de Água Negra do Espaço Naturalmente
Projeto de Jeferson Timm
Execução de Carlos Silveira

Água Negra são as águas provenientes de vasos sanitários, ou seja, com fezes humanas.
O tratamento de Água Negra é um pouco mais delicado que a Água Cinza, por conter patógenos, mas também pode ser saneada com o sistema de filtros e plantas.
Ministramos uma Oficina onde montamos este sistema.

Filtro onde ficarão as plantas, construído com a técnica de ferrocimento.
Explicação do Jeferson sobre o encanamento de entrada do efluente e saída/dreno para a vala de infiltração no solo, já saneado.

Montagem da fossa e filtro.

 Plantio das macrófitas.

Mais um trabalho concluído em grupo!

Esquema do projeto.